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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O tio

ATENÇÃO, EDITORES! Perdão, faltou o tio! Putz, e o tio rende um parágrafo só pra ele, é um baita personagem. Ele é o nosso repertório, o intelecto, o lado que avalia o mundo sob a óptica, por assim dizer, iluminista. Não à toa que o cara corta os pulsos.

Ele rende também uma das melhores cenas, enquanto explica pro guri porque não é certo dormir até se completar 18 anos e escapar de todos os sofríveis anos escolares. Concordo com ele que a realidade distorcida da dor aflora algo de verdadeiro, parece que o nosso lado mais ajuizado vem à tona quando estamos mais vulneráveis. É certo que muitas coisas do mundo fazem mais sentido quando as costas pesam. Todos precisamos de um pouco de Proust.

Gosto do tio.

domingo, 10 de agosto de 2008

Driving Miss Sunshine

Ok, Carol, o final de semana não foi dedicado ao dark side of the rock'n'roll. A chuvinha invocou cobertas, pipoca e filmes cheios de graça pra mim também. Para completar, o Telecine quis bancar o piadista e reprisou "Little Miss Sunshine" na madrugada de Sábado. A tela radiante contrastando com a umidade lá fora.... sensacional.

Considero "Little Miss Sunshine" um favorito porque é do tipo de filme que sempre ensina uma lição diferente, sempre. É com toda sutileza do mundo que coloca aquela Kombi amarela como uma metáfora sobre a nossa própria vida. É simplesmente embaraçosa. Tem que empurrar pra ir pra frente, tem que correr pra subir... afinal, ela não pára! Mas a gente precisa embarcar nela pra chegar lá, né? Não tem outro jeito.

Dentro do veículo, encontramos o pai, o nosso lado boçal. Aquele que acha que dispõe da capacidade de manter o controle de tudo - absolutamente tudo! - se simplesmente as regras forem seguidas, certo? Tem também a mãe, o lado moral, que tenta fazer o possível para nos mantermos seres agradáveis e sociáveis. Tem o avô, o nosso lado mais libertino, que aparece quando julgamos não existir mais nada a perder. Tem o guri, o orgulho - sabe quando juramos que somos algo acima do comum, que temos um segredo incrível e inatingível dentro do nosso umbigo? Há! :) E tem a Miss Sunshine, que passa meio despercebida no meio de tanta gente. Apesar disso, ela é o que ela é: a essência.

De tempos em tempos, um desses personagens assume o volante da nossa Kombi. Confesso que o minha andou controlada pelo avô nos últimos tempos. (Quem assistiu, sabe o que acontece com ele no final, né. So... it wasn't a very good idea.) Na sequência, o pai tentou assumir, mas se perdeu totalmente na rodovia. Tava escuro demais, ele não enxergava as placas, nenhum código universal para livrá-lo da situação.

Pois bem, não é fácil, ela ainda não alcança muito bem os pedais, mas tá na hora de entregar a direção à pequena Miss Sunshine. Aliás, a inscrição na auto-escola já está programada para amanhã. Sim, a minha. :)